A inovação muitas vezes nasce da escassez — e, no caso da Leoniê, também da memória afetiva. A marca brasileira vem chamando atenção ao transformar o cacto em matéria-prima para bolsas que unem estética, propósito e tecnologia.
Por trás da Leoniê está uma trajetória que começa no sertão de Pernambuco. Desde cedo, o fundador demonstrava criatividade ao transformar o que tinha em novas possibilidades. A influência veio de casa: sua avó, Maria Leonia, costureira, foi a primeira ponte entre imaginação e construção manual. Entre tecidos e linhas, nasceu não só o interesse pela moda, mas também um olhar sensível para o fazer.
A mudança para São Paulo, aos 18 anos, marcou o início de uma nova fase. Sem acesso imediato ao ensino superior, o caminho foi o trabalho — primeiro no comércio da 25 de Março. Mas foi durante a pandemia, após a perda do emprego, que surgiu uma virada decisiva. De forma autodidata, mergulhou no universo do marketing digital e, em 2022, fundou uma agência de mídias sociais ao lado de outros pernambucanos.
A visibilidade conquistada como criador de conteúdo abriu espaço para retomar um antigo objetivo: criar sua própria marca de moda. Formado em Design de Moda pelo CEUNSP, lançou no fim de 2024 a Leoniê — nome que carrega uma homenagem direta à sua avó e às origens que moldaram sua visão.
A peça central da marca, a bolsa Leonia, traduz esse conceito de forma clara. Produzida com Notus, um couro vegetal derivado do cacto e desenvolvido no México, o material surge como uma alternativa ao couro animal. Além de sustentável, exige baixo consumo de água e apresenta características como leveza, flexibilidade e resistência — qualidades que favorecem o trabalho artesanal e ampliam as possibilidades de design.
Mais do que uma escolha técnica, o uso do cacto também carrega um simbolismo forte: conecta a identidade da marca às paisagens e à cultura do sertão. Essa narrativa se reflete na estética minimalista das bolsas, que também exploram modularidade, permitindo diferentes composições de uso, tamanho e cor.
O modelo de produção reforça o posicionamento da marca. As peças são feitas manualmente por um ateliê formado exclusivamente por mulheres, com foco no aproveitamento integral dos materiais. Retalhos ganham novos usos, transformando-se em pequenos acessórios e prolongando o ciclo de vida dos produtos.
O resultado foi um lançamento bem-sucedido: o primeiro estoque esgotado sem investimento em tráfego pago ou grandes campanhas. A combinação entre narrativa autêntica, estratégia digital e produto consistente mostrou a força de uma marca que nasce com identidade clara.
A Leoniê não propõe apenas uma alternativa ao couro animal — propõe uma nova forma de pensar moda: mais conectada com origem, processo e impacto.
Crédito: Matéria originalmente publicada por @planetapospandemia
